ORALIDADE, GESTUALIDADE E MUSICALIDADE
Resgate histórico/cultural do contador
Nosso primeiro contato com um texto é feito, em geral, oralmente. É pela voz de alguém da família, em geral a mãe ou o pai, contando contos de fada, trechos da Bíblia, histórias onde a gente é o personagem principal, narrativas de quando eles eram crianças e as famosas histórias de assombração. Contadas durante o dia, numa tarde de chuva ou à noite, antes de dormir, são verdadeiras viagens onde o passaporte é uma voz amada... E podemos rir, sorrir, gargalhar, chorar, gritar e nos envolver com as situações vividas pelos personagens nesta linguagem que pode ser entendida por todos: a linguagem oral.
A narração oral serve de instrumento de cultura, socialização, aperfeiçoamento do caráter, informação, educação, recreação. Proporciona conforto e consolo em termos emocionais, trabalha a afetividade, respeito e amor ao próximo. Enfim, é um poderoso instrumento de trabalho nas mãos do educador infantil, basta que ele se proponha a facilitar este reencontro com essa literatura oral, ora tão esquecida em favor das facilidades tecnológicas. (É muito mais fácil e cômodo ligar o vídeo e colocar uma fita do que contar uma historia).
Colégio Salvador - Ed.Infantil |
Contar com o coração é o principal segredo da narrativa bem sucedida, além disso, há algumas considerações acerca das características do contador:
· Personalidade
Deve ser alegre, criativo, observador, intuitivo, dedutivo, ter imaginação fértil, espontaneidade e acima de tudo ser simples.
· Características
Deve possuir capacidade de sintetizar ou ampliar, de acordo com a faixa etária, a expectativa dos ouvintes. Observar o ambiente (reação dos ouvintes) para dar o fecho na história, domínio do assunto a que se refere. Impor silencio ao auditório ao iniciar a narrativa.
· Requisito
Deve gostar de contar histórias, ter condição para tal, ter habilidade de envolver os ouvintes e emocionar-se com a própria narrativa, ter o hábito de ler e saber enriquecer (florear) fatos corriqueiros, saber expressar e viver a história narrada. A inspiração é fundamental. Dar vida aos personagens, caracterizando-os bem.
· Criatividade
De uma poesia, de um fato ocorrido, da imaginação ou de uma observação pode-se criar uma história ou reinventar uma já conhecida. Saber mudar algum fato da história de acordo com a necessidade é também importante para o contador.
Ao apresentar uma história a determinado público, o contador deve estar atento para algumas posturas importantes na narração. Eis algumas:
· Narrar com naturalidade
Narrar com naturalidade significa fazê-lo sem afetação, com a segurança de quem estudou e conhece o texto, com sobriedade nos gestos e equilíbrio na expressão corporal, consciente de que não está num palco representando, sem se agitar e se movimentar demais para não distrair os ouvintes.
Contando João Jiló em Boquim - SE |
· Saber usar a voz
A voz é o mais importante dos instrumentos para um contador de histórias, porque é através dela que as emoções se transmitem. O narrador tem que exprimir-se numa voz definida, pois ele é aquele que diz , por isso precisa saber bem o que irá dizer. Precisa ter dúvidas, certezas, conhecimentos, estudo e talento no uso da voz. Talento de sedução. Se fazer ouvir não é tão fácil assim, ainda mais quando atendemos a um público sem idade. Estratégias como: sussurrar quando o personagem fala baixinho, levantar a voz quando acontece uma confusão no enredo, falar mansinho quando a situação é calma, adocicar a voz quando a situação envolver crianças, flores, seres delicados; tornando-se grave se o personagem é grande ou violento.
· Possuir clareza
A clareza pressupõe uma boa dicção e o uso de uma linguagem correta. Cuidado com as concordâncias, plural e singular, erros gramaticais. Deve-se evitar os “tiques” ou cacoetes tão comuns: certo, então, aí, entenderam? né? sabe? etc.
· Valer-se das pausas
É importante criar intervalos na narrativa, para que assim o ouvinte tenha tempo de fazer sua imaginação funcionar, construir o cenário na mente visualizar os rostos, as roupas, o ambiente... Tem que existir um ritmo na narrativa, os intervalos não devem dar espaço para o bocejo, e isso poderá acontecer se tivermos “tiques” repetindo os né, então, e daí. Como nos orienta a experiência de uma grande contadora de histórias, Cléo Busatto em seu livro Contar e Encantar:
Parar sim, porque o silêncio na narrativa é imprescindível, mas o silêncio tratado aqui não é um silêncio vazio, mas antes pleno de significados. Há algo sendo dito por trás deste calar e que pode ser lido nos olhos, no corpo inteiro do narrador. 8
· Evitar descrições longas
As descrições literárias, além de interessarem apenas às crianças maiores, são para serem lidas e não narradas. As crianças gostam mais de ouvir as conversas, as ações, os acontecimentos. As repetições de frases e expressões são muito bem vindas pelas crianças, pudemos observar isso nas apresentações do grupo “Contadores de Histórias” quando eles já aguardavam a repetição do movimento da nuvem Marli: Pra lá, pra cá..., Pra lá, pra cá...
Abertura da feira de Sergipe - Orla |
· Saber começar e saber terminar
O cuidado em acomodar as crianças deve ser a primeira preocupação. A melhor arrumação é sentá-las em semicírculo, de modo que todas possam ver quem está narrando e o material que ele irá utilizar.Para acalmar a agitação natural das crianças podemos cantar uma musica acompanhada de gestos, palmas, ou outros movimentos. A prática irá mostrar o melhor modo de arrumar as crianças. Isso dependerá muito de cada lugar e de cada momento, como também da idade das crianças. A maneira que o narrador irá se portar é individual, sentar-se ou ficar de pé é opcional, mas ele não poderá se esquecer que ao ficar de pé ficará mais exposto. As palavras mágicas, segundo Fanny Abramovich ainda são “Era uma vez...”. Quanto ao final da história, é bom marcá-lo de forma especial, podendo ser utilizadas reflexões tradicionais como: “E foram felizes para sempre...”
Dança na hora da história
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Na biblioteca Ivone de Meneses. Música: Voarás, de Paulinho Pedra Azul e Diana Pequeno |
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Dança na história COMO SURGIRAM OS VAGA-LUMES. |
Colégio Santa Chiara- Educação Infantil |
MUSICALIDADE,
Uma excelente estratégia para a contação de histórias!
ERA UMA VEZ...
ERA UMA VEZ...
FECHE OS OLHINHOS PRO ERA UMA VEZ
VAMOS SONHAR, VAMOS CANTAR...TUDO É POSSÍVEL NO ERA UMA VEZ!!!
(Musica inicial)
musico:Zezinho Colares
Utilizamos o recurso da musica em nossas contações de historias. A musica encanta, agrada e serve a diversos propósitos como por exemplo fazer calar, chamar a atenção, fixar a mensagem que queremos passar, dinamizar, etc.
Pode ser utilizada também como teatro.
Ex: A linda Rosa Juvenil (enquanto cantamos encenamos)
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Todos querem ser reis.... |
- A linda Rosa juvenil, juvenil, juvenil
A linda Rosa juvenil, juvenil. - Vivia alegre no seu lar, no seu lar, no seu lar
Vivia alegre no seu lar, no seu lar. - Mas uma feiticeira má, muito má, muito má
Mas uma feiticeira má, muito má. - Adormeceu a Rosa assim, bem assim, bem assim
Adormeceu a Rosa assim, bem assim - Não há de acordar jamais, nunca mais, nunca mais
Não há de acordar jamais, nunca mais. - O tempo passou a correr, a correr, a correr
O tempo passou a correr, a correr. - E o mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor
E o mato cresceu ao redor, ao redor. - Um dia veio um belo rei, belo rei, belo rei
Um dia veio um belo rei, belo rei. - Que despertou a Rosa assim, bem assim, bem assim
Que despertou a Rosa assim, bem assim. - (a última estrofe tem 3 versões diferentes:)
E batam palmas para o rei, para o rei, para o rei
E batam palmas para o rei, para o rei.
ou
Digamos ao rei muito bem, muito bem, muito bem
Digamos ao rei muito bem, muito bem.
ou
E os dois puseram-se a dançar, a dançar, a dançar
E os dois puseram-se a dançar, a dançar.
UTILIZAMOS PARLENDAS EM FORMA DE MUSICA. EX: