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INSTITUTO CONTA BRASIL - “Unir-se é um bom começo, manter a união é um progresso, e trabalhar em conjunto é a vitória.” Henry Ford

RECURSOS USADOS PARA CONTAR HISTORIAS

“A imaginação é mais importante que o conhecimento.”
ALBERT EINSTEIN





RECURSOS USADOS PARA CONTAR HISTORIAS
Monica Weingärtner Otte
Anamaria Kovács



Contar histórias é uma arte. Muitas pessoas têm um dom especial para esta tarefa.
Mas isso não significa que pessoas sem esse dom excepcional não possam tornar-se bons
contadores de histórias. Com algum treinamento e alguns recursos práticos qualquer pessoa é
capaz de transmitir com segurança e entusiasmo o conteúdo de uma história para pequenos.
Repetimos: os recursos e os métodos que usamos para contar uma história têm seu
valor, mas nada pode substituir a afetividade pessoal que acompanha a história.
É recomendável ser bastante criativo no uso de recursos materiais. Não se prender a
certos padrões, mas variar de acordo com o conteúdo da história a ser contada ou
apresentada:Bonecos,máscaras, cartazes, fantasias, teatro, fantoches, etc.

Como contar histórias
(Fátima Beatriz)

Contar com o coração é o principal segredo da narrativa bem sucedida, além disso, há algumas considerações acerca das características do contador:

Personalidade

Deve ser alegre, criativo, observador, intuitivo, dedutivo, ter imaginação fértil, espontaneidade e acima de tudo ser simples.
Características
Deve possuir capacidade de sintetizar ou ampliar, de acordo com a faixa etária, a expectativa dos ouvintes. Observar o ambiente (reação dos ouvintes) para dar o fecho na história, domínio do assunto a que se refere. Impor silencio ao auditório ao iniciar a narrativa.
Requisito
Deve gostar de contar histórias, ter condição para tal, ter habilidade de envolver os ouvintes e emocionar-se com a própria narrativa, ter o hábito de ler e saber enriquecer (florear) fatos corriqueiros, saber expressar e viver a história narrada. A inspiração é fundamental. Dar vida aos personagens, caracterizando-os bem.
Criatividade
De uma poesia, de um fato ocorrido, da imaginação ou de uma observação pode-se criar uma história ou reinventar uma já conhecida. Saber mudar algum fato da história de acordo com a necessidade é também importante para o contador Ao apresentar uma história a determinado público, o contador deve estar atento para algumas posturas importantes na narração. Eis algumas:
Narrar com naturalidade
Narrar com naturalidade significa fazê-lo sem afetação, com a segurança de quem estudou e conhece o texto, com sobriedade nos gestos e equilíbrio na expressão corporal, consciente de que não está num palco representando, sem se agitar e se movimentar demais para não distrair os ouvintes.
Saber usar a voz
A voz é o mais importante dos instrumentos para um contador de histórias, porque é
através dela que as emoções se transmitem. O narrador tem que exprimir-se numa voz definida, pois ele é aquele que diz , por isso precisa saber bem o que irá dizer. Precisa ter dúvidas, certezas, conhecimentos, estudo e talento no uso da voz. Talento de sedução. Se fazer ouvir não é tão fácil assim, ainda mais quando atendemos a um público sem idade. Estratégias como: sussurrar quando o personagem fala baixinho, levantar a voz quando acontece uma confusão no enredo, falar mansinho quando a situação é calma, adocicar a voz quando a situação envolver crianças, flores, seres delicados; tornando-se grave se o personagem é grande ou violento.
Possuir clareza
A clareza pressupõe uma boa dicção e o uso de uma linguagem correta. Cuidado com as concordâncias, plural e singular, erros gramaticais. Deve-se evitar os “tiques” ou cacoetes tão comuns: certo, então, aí, entenderam? né? sabe? etc.
Valer-se das pausas
É importante criar intervalos na narrativa, para que assim o ouvinte tenha tempo de fazer sua imaginação funcionar, construir o cenário na mente visualizar os rostos, as roupas, o ambiente... Tem que existir um ritmo na narrativa, os intervalos não devem dar espaço para o bocejo, e isso poderá acontecer se tivermos “tiques” repetindo os né, então, e daí. Como nos orienta a experiência de uma grande contadora de histórias, Cléo Busatto em seu livro Contar e Encantar:
Parar sim, porque o silêncio na narrativa é imprescindível, mas o silêncio tratado aqui não é um silêncio vazio, mas antes pleno de significados. Há algo sendo dito por trás deste calar e que pode ser lido nos olhos, no corpo inteiro do narrador.
Evitar descrições longas
As descrições literárias, além de interessarem apenas às crianças maiores, são para serem lidas e não narradas. As crianças gostam mais de ouvir as conversas, as ações, os acontecimentos. As repetições de frases e expressões são muito bem vindas pelas crianças, pudemos observar isso nas apresentações do grupo “Contadores de Histórias” quando eles já aguardavam a repetição do movimento da nuvem Marli: Pra lá, pra cá..., Pra lá, pra cá...
Saber começar e saber terminar
O cuidado em acomodar as crianças deve ser a primeira preocupação. A melhor arrumação é sentá-las em semicírculo, de modo que todas possam ver quem está narrando e o material que ele irá utilizar.Para acalmar a agitação natural das crianças podemos cantar uma musica acompanhada de gestos, palmas, ou outros movimentos. A prática irá mostrar o melhor modo de arrumar as crianças. Isso dependerá muito de cada lugar e de cada momento, como também da idade das crianças. A maneira que o narrador irá se portar é individual, sentar-se ou ficar de pé é opcional, mas ele não poderá se esquecer que ao ficar de pé ficará mais exposto. As palavras mágicas, segundo Fanny Abramovich ainda são “Era uma vez...”. Quanto ao final da história, é bom marcá-lo de forma especial, podendo ser utilizadas reflexões tradicionais como: “E foram felizes para sempre...”
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